Nesta manhã, a ANPD realizou webinar para explicar os impactos da adequação mútua de proteção de dados entre Brasil e UE na economia brasileira.
Segundo Daniela Matos, da Secretaria Adjunta de Comércio Exterior do MDIC, o acordo pode beneficiar setores estratégicos brasileiros, como telecomunicações e serviços digitais.
A medida, divulgada pela ANPD na última terça-feira, 27, é apresentada como impulso ao comércio de bens e digital, incluindo infraestrutura e equipamentos de telecomunicações, como celulares, cabos e fibra óptica, rádios e similares; produtos e equipamentos de IoT conectáveis, como carros, eletrodomésticos e drones; bem como os próprios serviços digitais, o comércio digital na agricultura e o e-commerce.
“O fluxo internacional de dados é um elemento importante para a economia moderna, especialmente para serviços digitais, comércio eletrônico, tecnologias emergentes e cadeias globais de valor. Uma decisão de adequação como essa permite um comércio com segurança, sem barreiras. Há também a redução de custos, de barreiras jurídicas, tanto para empresas europeias quanto brasileiras”, afirmou Matos.
Com a medida, a projeção é de que o setor de bens e serviços tenha um incremento de 7% a 9% de crescimento.
No âmbito do comércio entre Brasil e UE, Matos destacou dados de 2024: o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões para a União Europeia. No setor de indústria de transformação, 47,4% do total foi para a UE (US$ 23,6 bilhões), tornando o bloco o segundo maior destino, atrás dos Estados Unidos. Já no setor de bens de média e alta tecnologia, as exportações para a EU representaram 43,2% do total de bens industriais exportados (US$ 10,2 bilhões).
No setor de Comércio de serviços, o Brasil exportou US$ 10 bilhões para a UE e importou US$ 26 bilhões do bloco europeu em 2024.
A representante do MDIC destacou que o Brasil é um país muito conectado, abrindo diversas oportunidades para o comércio digital. Ela apontou que, desde o início dos anos 2000, a participação dos serviços digitais no comércio exterior brasileiro tem crescido de forma consistente, chegando a 64,2% das exportações de serviços em 2024 (US$ 30,8 bilhões), acima da média mundial e da América Latina.