O ano de 2025 começou a deixar claro como será a dinâmica do mercado brasileiro de banda larga fixa em 2026, quando a leitura passa de narrativas para dados reportados à Anatel até outubro de 2025.
Nos primeiros dez meses de 2025, o Brasil somou cerca de 2,02 milhões de novos acessos de banda larga fixa, com a fibra óptica respondendo por aproximadamente 2,49 milhões de Net Adds, puxados pela migração tecnológica.
Apesar do tom positivo, esse ritmo representa o menor crescimento dos últimos cinco anos, fora do período pré-pandemia, e retorno a patamares de 2018 para a fibra. Em benchmark global, esse nível de crescimento continua saudável, mas o desafio está em sustentar a competitividade adquirida nos últimos anos.
Três gaps que começam a sumir: 1) Concentração do crescimento nas grandes operadoras. Entre janeiro e outubro de 2025, 44,6% do crescimento líquido veio de apenas duas grandes operadoras, que juntas representam 33,85% da base total de acessos. Na FTTH, a concentração é ainda maior, com 53,7% do crescimento no período capturado por essas operadoras.
2) Fim do crescimento artificial via M&A: a jornada 2020–2025 viu o crescimento de Net Adds se apoiar em aquisições, mas em 2025 o volume de M&A diminui e o mercado expõe seu crescimento orgânico real, menor, mais seletivo e mais competitivo, com apenas dois outliers reais surgindo.
3) Reação estrutural das grandes operadoras: migração acelerada de bases legadas para fibra, com FTTH ganhando até cinco pontos percentuais na participação em menos de um ano; convergência fixo-móvel passando a ser motor de Net Adds, com crescimento de 52% na base convergente e 85,1% das altas em FTTH ocorrendo nas lojas próprias; além disso, grandes grupos e big techs retomando movimentos estratégicos de compra.
Ao olhar 2025 com foco em 2026, a leitura é que os três grandes diferenciais competitivos que sustentaram parte do crescimento entre 2020 e 2025 começam a desaparecer ao mesmo tempo. O mercado não recua, mas entra em uma fase mais simétrica, mais disputada e menos tolerante a estratégias baseadas apenas em expansão oportunista, sugerindo um novo tipo de ciclo para o setor.