A Amazon protocolou junto à Federal Communications Commission (FCC) dos EUA uma petição para rejeitar a solicitação da SpaceX de lançar até um milhão de satélites de baixa órbita para data centers no espaço. O documento foi protocolado no processo regulatório no dia 6 de março, durante a análise da proposta de usar satélites como infraestrutura para serviços de computação no espaço.
No documento, a Amazon sustenta que o pedido não apresenta informações técnicas suficientes para permitir uma avaliação adequada do projeto. Segundo a empresa, os detalhes disponíveis cobrem apenas um subconjunto de satélites, ainda que o sistema proposto possa chegar a um milhão de unidades.
A petição também levanta a possibilidade de que o pedido constitua uma tentativa de monopolizar o espectro e posições orbitais, sem um plano concreto de implantação. A Amazon afirma que tal configuração poderia levar à reserva de recursos de órbita valiosos.
Além disso, a companhia questiona a viabilidade prática da constelação, argumentando que sua implantação total parece irrealista ou impossível no futuro previsível, a menos que haja um aumento significativo na capacidade de lançamentos global. Ela cita que, em 2025, foram lançados 4.526 satélites mundialmente; nesse ritmo, seriam necessários mais de 220 anos para alcançar 1 milhão.
A Amazon também aponta impactos operacionais sobre a Amazon Leo, futura concorrente da Starlink, destacando preocupações com colisões com um sistema de 1 milhão de satélites especulativo. A empresa afirma que isso poderia encarecer seguros, comprometer a segurança de lançamentos e favorecer o domínio do incumbente no setor.
Ao final, a Amazon solicita à FCC a rejeição do pedido da SpaceX. Caso a agência mantenha a análise, a empresa pede que sejam exigidas informações técnicas mais completas sobre radiofrequência, distribuição orbital e características dos satélites, para que impactos de segurança orbital, competição e acesso ao espaço possam ser avaliados com rigor.