A Abrint, que representa os pequenos provedores de Internet, sinaliza um aumento expressivo nos preços dos cabos de fibra, em especial o cabo drop, conforme medidas anti-dumping adotadas pela Gesex. A entidade aponta que o preço do cabo drop já subiu, em média, 80%, peso que costuma representar cerca de 30% do custo de instalação.
Essa escalada de custos está levando os provedores a repassar parte do valor para os clientes por meio de taxas de ativação, um mecanismo que não era cobrado anteriormente. A Abrint alerta para a possibilidade de inviabilizar o modelo de negócio caso a indústria nacional não acompanhe a demanda.
Outro ponto crítico destacado pela associação é a imprevisibilidade regulatória, com a terceirização da fiscalização de segurança do trabalho pela Anatel sendo citada como exemplo. O custo dessa fiscalização aparece entre R$ 2 mil e R$ 13 mil, sem uma previsão clara de precificação no regulamento.
A Abrint reconhece, porém, que o mercado hoje vive uma “canibalização de preços”, o que tem pressionado reajustes de mensalidades. Embora o crescimento da Starlink seja constante, a entidade vê a operadora como uma solução complementar para áreas remotas, não uma concorrente direta da fibra.
No âmbito de fomento aos pequenos provedores, há políticas de acesso a crédito que devem trazer fôlego ao setor. A ideia é que os recursos sejam usados não apenas para construir redes, mas também para ampliar serviços, como MVNOs ou pequenos data centers, promovendo diversificação e competitividade.
Quanto ao espectro de 6 GHz, a Abrint segue firme na defesa de liberar a faixa para uso do Wi‑Fi, com estudos em andamento da convivência entre 6 GHz e IMT. A associação planeja realizar testes de utilização no AGC, em São Paulo, com acompanhamento técnico da Anatel, para demonstrar a viabilidade da convivência pacífica com o uso interno de maior porção da faixa. A discussão sobre o 6 GHz tem like impacto direto em gargalos de conectividade, especialmente em ambientes internos, diante da saturação de 2,4 GHz e 5 GHz.