Em dezembro de 2025, a China operava 4,76 milhões de estações 5G, tendo acrescentado 507 mil novas estações no último ano, o que representa um aumento anual de 11,9%.
No mesmo período, o Brasil alcançou 52.075 estações 5G e 14.164 ativações, com um crescimento de 37,3% em 12 meses, ainda que parta de uma base muito menor.
Ao normalizar os números por território e população, o abismo torna-se claro:
- Território: China de ~9,6 milhões de km², com 1 estação 5G a cada ~2 km²; Brasil de ~8,52 milhões de km², com 1 estação 5G a cada ~163 km².
- População: China com ~1 estação 5G para cada 296 habitantes; Brasil, 1 estação para ~4.090 habitantes.
Essas proporções indicam que a diferença não é marginal, mas estrutural. A China não apenas tem mais estações, como utiliza um modelo de densidade de rede significativamente mais intenso.
O parque de infraestrutura móvel brasileiro totaliza cerca de 108 mil a 109 mil estações rádio base (2G, 3G, 4G e 5G) distribuídas pelo território. Em contraste, os 12 meses recentes mostram que a China adicionou volume de estações 5G quase cinco vezes maior do que todo o parque brasileiro agregado ao longo de décadas.
A expansão da China não depende apenas de torres macro. Uma parcela relevante vem de small cells, soluções em nível de rua, instalações compactas em mobiliário urbano, ambientes indoors e fachadas, bem como arquiteturas distribuídas de baixo impacto visual.
Essa abordagem reforça a ideia de que o 5G foi desenhado para ser denso e distribuído, suportando não apenas pessoas, mas coisas como sensores, máquinas e ativos logísticos espalhados pelo território. No Brasil, essa camada de densificação enfrenta barreiras regulatórias, econômicas e urbanísticas que dificultam a adoção em larga escala, especialmente em áreas urbanas consolidadas.
Conclui-se que a principal diferença entre Brasil e China reside na economia de escala, no volume de investimento e na estratégia de infraestrutura. Ao enxergar o 5G como infraestrutura territorial — e não apenas como serviço móvel — os números passam a refletir decisões de planejamento de longo prazo e capacidade de execução. O futuro digital do país dependerá da densidade de infraestrutura que se decide construir.