A Pecuária 4.0 impõe aos produtores uma infraestrutura de TI robusta, equiparável à de grandes corporações, para viabilizar o diagnóstico e o monitoramento em tempo real do rebanho. Em áreas rurais que podem ultrapassar 10 mil hectares, a adoção de sensores IoT, conectividade contínua e plataformas analíticas passa a ser norma, não exceção.
A implementação exige conectividade estável (GPRS/GPS), armazenamento em nuvem e segurança da informação para dados zootécnicos. O desafio é manter a coleta constante de dados, mesmo quando a infraestrutura local é limitada, para que veterinários e gestores possam tomar decisões com base em dados em tempo real.
Arquiteturas de dados no campo geram volumes massivos de informações por animal, simulando operações de nível empresarial. O processamento em tempo real, aliado à análise preditiva, permite detectar padrões de comportamento e sinais precoces de doenças, exigindo equipes e infraestrutura de computação consideráveis. A tendência é a adoção de soluções de edge computing, com integração híbrida entre sensores no campo e centros de processamento na nuvem.
Ao nível de segurança, a Pecuária 4.0 amplia a superfície de ataque. Dados sobre genética, produtividade e saúde do rebanho são ativos estratégicos, exigindo autenticação forte, criptografia, VPNs e certificados digitais, inclusive em áreas remotas. O backup e a redundância tornam-se críticos para evitar perdas históricas que possam comprometer decisões de manejo.
A convergência IT-OT no campo traz desafios de interoperabilidade entre diferentes padrões de comunicação, desde Bluetooth de baixa energia até LoRaWAN. Gateways e middleware atuam como intermediários, enquanto a gestão de dispositivos distribuídos demanda ferramentas de MDM adaptadas para IoT. A latência pode ser decisiva em intervenções de emergência, tornando o edge computing essencial para reduzir dependência de conectividade constante.
O setor agro possui perspectivas de crescimento em TI: talentos especializados em IoT, dados e cibersegurança ganham espaço, e fornecedores adaptam soluções desenvolvidas para manufatura e logística às realidades rurais. Investimentos em conectividade, data centers e segurança sinalizam retornos via ganhos de produtividade e redução de perdas, marcando o início de uma transformação tecnológica contínua na pecuária brasileira.