Panorama de patentes em expansão: uma análise de cerca de 5.000 pedidos de patentes revelou um ecossistema amplo, com mais de 270.000 famílias de patentes coletadas ao redor do mundo. Deere & Co, CNH Industrial, Claas e Kubota lideram os depósitos, enquanto Climate LLC (agora parte da Bayer) figura entre os grandes players. O destaque fica com a cauda longa: startups e universidades impulsionam IA, robótica e drones, sinalizando que a inovação transversal está cada vez mais disseminada no agro.
Segundo o relatório da WIPO sobre Agrifood, o setor registra mais de 3,5 milhões de invenções patenteadas nas últimas duas décadas, com investimentos que passaram de US$ 3 bilhões em 2012 para quase US$ 30 bilhões em 2022. As aplicações de patentes agrícolas cresceram de 463 em 2020 para 1.433 em 2024, um aumento próximo de 210% em quatro anos, com robótica, drones, mapeamento e sistemas de imagem liderando o ritmo de depósito.
Digital twins, IoT e IA surgem como a espinha dorsal da fazenda inteligente. A aplicação dessas tecnologias se amplia em escala e complexidade: sensores para monitorar umidade, temperatura e químicos do solo apresentaram CAGR de 37,6% entre 2017 e 2021; modelos preditivos de precisão agrícola cresceram 27,1%. A Ásia lidera em depósitos de patentes nessa área, seguido pela América Latina, com contribuição expressiva do Brasil e México.
O cenário indica que a agricultura digital não é mais tema do futuro; é uma realidade que demanda infraestrutura robusta de cloud, edge computing, big data e IA. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta uma crise de cibersegurança: a multiplicação de dispositivos IoT e equipamentos conectados amplia vetores de ataque. Ataques coordenados sob o rótulo cyber agroterrorismo já foram documentados pelo FBI, com alertas formais da USDA, DHS e, em menor escala, pela UE, sobre vulnerabilidades em fazendas digitais.
Para os executivos de TI, a resposta passa pela priorização de três áreas-chave: detecção de ameaças com IA, autenticação multifator para dispositivos IoT e segurança no edge computing. A cibersegurança agrícola não é apenas um problema do campo; é uma questão de TI, infraestrutura e governança corporativa. Mesmo com o crescimento de patentes em 210% entre 2020 e 2024, a velocidade da resposta regulatória ainda é baixa, o que aumenta a urgência de alinhar equipes de tecnologia aos riscos emergentes do agronegócio.