Nova avaliação da gestão judicial da Oi, apresentada à 7ª Vara Empresarial do TJ-RJ, indica que a crise econômica e financeira da companhia se agravou, mesmo após a venda de ativos, revisão de contratos, liberação de recursos e redução de passivos. O patrimônio líquido encerrou fevereiro de 2026 em território negativo de R$ 21,9 bilhões e a liquidez corrente recuou para 0,41, sinalizando dificuldades de curto prazo na gestão de caixa.
O documento ressalta que não há uma nova recomendação de falência. A gestão defende, ao contrário, a manutenção da suspensão das obrigações extraconcursais, a liquidação ordenada de ativos e o modelo de condução existente para evitar o que classifica como o “instantâneo colapso das operações” e a inviabilização dos serviços públicos remanescentes.
Pelo demonstrativo de resultados, a Oi registrou queda na receita líquida, passando de R$ 121,9 milhões em outubro de 2025 para R$ 85,6 milhões em fevereiro de 2026, uma retração de 29,8% no quadrimestre analisado. A divulgação aponta ainda margens negativas ao longo dos meses, com -92% em outubro, -56% em novembro, -70% em dezembro, -62% em janeiro e -64% em fevereiro.
Em termos de estrutura patrimonial, o ativo total caiu de R$ 18,3 bilhões em outubro de 2025 para R$ 14,1 bilhões em fevereiro de 2026. O patrimônio líquido negativo avançou de R$ 17,1 bilhões para R$ 21,9 bilhões no mesmo intervalo, e o passivo total, considerado com a novação prevista nos planos de recuperação, elevou o endividamento para 256% do ativo.
A Oi estima endividamento total superior a R$ 42 bilhões, distribuído em vencimentos até 2027 (aproximadamente R$ 8,1 bilhões), entre 2028 (R$ 5,7 bilhões) e entre 2029 e 2052 (R$ 28,2 bilhões). Em 14 de abril de 2026, o caixa livre das recuperandas somava R$ 85,4 milhões, com projeção de fechamento de abril em R$ 80,5 milhões. A projeção para os próximos seis meses aponta redução para cerca de R$ 29,05 milhões em setembro de 2026, sem considerar receitas de venda da UPI V.tal ou da UPI Serviços Telefônicos, dependentes de diligências regulatórias externas. O texto destaca que R$ 517,4 milhões liberados anteriormente, por meio de conta vinculada à Anatel, reforçaram o caixa no fim de 2025, mas já foram em grande parte consumidos para pagar credores e manter serviços.