A Oi, em recuperação judicial, entrou com uma ação de responsabilidade contra seus antigos acionistas de referência na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. O alvo principal são as gestoras Pimco, SC Lowy e Ashmore, que teriam exercido poder de controle de maneira abusiva, priorizando seus créditos em detrimento da saúde financeira da operadora e de seus demais credores.
Conforme os documentos apresentados, a atual administração sustenta que os ex-controladores, que detinham 78,20% do capital votante, teriam ignorado deveres fiduciários para implementar uma estratégia de esvaziamento de caixa. A Oi também acusa a antiga gestão de ter autorizado a contratação de assessores financeiros com cláusulas de êxito atreladas exclusivamente ao pagamento dos créditos dos próprios fundos.
Outro ponto central envolve a política de remuneração aprovada em 2025. A companhia cita o pagamento de R$ 7,5 milhões em apenas nove meses para três executivos indicados pelos fundos, além de bônus e honorários consideradosemilionários. Segundo a ação, tais gastos drenaram recursos que deveriam ter sido usados para quitar dívidas de cerca de R$ 2 bilhões fora da recuperação, o que, segundo a empresa, contribuiu para um pedido de falência, posteriormente revertido.
Para tentar neutralizar a influência desses credores em decisões estratégicas iminentes, a Oi solicita tutela de urgência. O foco está no processo de venda da V.tal, previsto para o início de março. A empresa detém 27,26% das ações da V.tal, empresa de infraestrutura de fibra óptica, e o êxito do leilão é visto como pilar para a reestruturação financeira do grupo, que encerrou o ano anterior com uma dívida total de R$ 43,9 bilhões.