A Nokia informou nesta quarta-feira que revisou para baixo a projeção de lucro operacional para 2025, passando de uma faixa de €1,9–€2,4 bilhões para €1,6–€2,1 bilhões. A empresa atribui o recuo principalmente aos impactos cambiais e tarifários que vão pressionar o resultado do ano, estimando um efeito total de cerca de €230 milhões, incluindo €90 milhões em reavaliações cambiais não caixa em fundos de venture capital.
Segundo o CEO Justin Hotard, a valorização do euro ante o dólar reduziu as expectativas da companhia em €230 milhões frente ao que inicialmente havia sido projetado, com €90 milhões ligados a reavaliações cambiais não caixa em fundos de venture capital. Além disso, tarifas comerciais em vigor devem reduzir o lucro operacional entre €50 milhões e €80 milhões ao longo do ano, com parte desse efeito já registrado no trimestre encerrado em junho.
No segundo trimestre de 2025, a Nokia registrou receita total de €4,55 bilhões, queda de 1% em base anual, desconsiderando variações cambiais e do portfólio. A divisão Mobile Networks foi o principal fator de queda, com receita de €1,73 bilhão, recuando 13% frente ao 2T de 2024, em função, entre outros, da ausência de efeitos extraordinários do ano anterior e adiamentos de projetos na Índia.
Por outro lado, a Network Infrastructure avançou 8%, para €1,9 bilhão, e a Cloud and Network Services cresceu 14%, impulsionada por demandas por soluções 5G Core. Nokia Technologies registrou leve alta de 3% na receita, com novos contratos de licenciamento. O lucro operacional comparável caiu 29%, para €301 milhões no trimestre, com os fundos de investimento corporativo também tendo contribuído para a piora do resultado, com uma desvalorização de €50 milhões.
A empresa ressalta sinalizações de recuperação, sobretudo na área de redes ópticas, com pedidos acima do faturamento. Clientes hyperscalers responderam por 5% das vendas no trimestre, incluindo contratos com operadoras nos EUA e fornecimento inicial de transceptores 800G pluggables. A Nokia mantém a expectativa de recuperação no segundo semestre, especialmente no quarto trimestre, e repete a meta de converter entre 50% e 80% do lucro operacional em caixa. O Nokia Capital Markets Day está marcado para 19 de novembro, em Nova York, para detalhar planos de unificação de funções corporativas e ganhos de eficiência.