A Microsoft anunciou o Publisher Content Marketplace (PCM), uma plataforma centralizada para licenciar conteúdo de publishers para sistemas de inteligência artificial. Desenvolvida com nomes como Condé Nast, Hearst e The Associated Press, a iniciativa visa formalizar o uso de conteúdos protegidos por direitos autorais em treinamentos de IA.
O PCM funciona como um intermediário entre produtores de conteúdo e as plataformas de IA, permitindo que publishers definam termos de licenciamento, modelos de preço e limites de uso. A Microsoft também fornece relatórios baseados no consumo real do conteúdo, criando um ambiente de auditoria mais transparente para TI e governança de dados.
As primeiras parcerias incluem publishers de peso no mercado americano, como Business Insider, Condé Nast, Hearst, The Associated Press, USA TODAY e Vox Media, com a Yahoo atuando como demand-side partner. O sistema já foi testado com respostas ‘grounded’ no Copilot, o que significa que parte das respostas de IA se baseia em fontes identificadas. O anúncio chega após um período de desenvolvimento silencioso que incluiu um summit em Mônaco em 2025. O PCM está agora em fase de expansão para novos publishers e parceiros internacionais.
O lançamento chega em um momento de urgência econômica: dados do Chartbeat, citados pelo Reuters Institute, mostram que o tráfego orgânico de Google para publishers caiu 33% globalmente e 38% nos EUA. A IA lê entre 10 e 20 links por consulta, em comparação com 1-2 para leitores humanos, o que pressiona a infraestrutura dos editores e a monetização.
No Brasil, a IA já afeta hábitos de busca: 32,3% dos usuários relataram reduzir buscas no Google após adotar ferramentas de IA, enquanto 25,8% disseram que passaram a usar mais as buscas. Nesse cenário, o PCM aparece como uma estrutura capaz de reduzir conflitos legais e moldar custos e acesso a conteúdos usados no treinamento de IA.
Do ponto de vista de governança e cibersegurança, o PCM traz elementos-chave como rastreabilidade de dados, auditoria de uso e atribuição de créditos. Contudo, permanece a ausência de informações sobre integração com padrões abertos como o Really Simple Licensing (RSL), o que pode acender debates entre abordagens centralizadas e descentralizadas no mercado. Em termos competitivos, o PCM coloca a Microsoft em posição de influência potencial sobre preços e acesso a conteúdos usados para IA, dependendo de sua adoção global.