O diretor de Telecomunicações da Abinee, Wilson Cardoso, avaliou que o setor de telecom concluiu 2025 colhendo os frutos de decisões regulatórias acertadas nos últimos anos, destacando três marcos: o novo plano de uso do espectro da Anatel, a prorrogação dos incentivos tributários à Internet das Coisas (IoT) e o avanço do edital de 700 MHz.
“Com o plano de espectro, temos previsibilidade do combustível para os próximos 10 anos”, disse Cardoso em coletiva de imprensa online. A projeção é de que esse marco viabilize o planejamento de investimentos por parte de fabricantes e operadoras, além de conferir segurança técnica e econômica ao setor.
A aprovação no Senado do Projeto de Lei nº 4.635/2024, que prorroga até 2030 os benefícios fiscais para dispositivos de IoT, também foi mencionada pelo dirigente. Ele afirmou que a medida pode elevar a base instalada no Brasil de 30 milhões para 60 milhões de dispositivos, ampliando a produtividade em áreas como o agronegócio. O texto ainda aguarda sanção presidencial.
Sobre o edital de 700 MHz, Cardoso informou expectativa de publicação no início de 2026, com inclusão de 310 MHz adicionais de espectro e obrigações de cobertura de 40 mil quilômetros de rodovias federais pavimentadas com serviços de conectividade IoT.
Para 2026, a Abinee projeta crescimento de 4% no faturamento do setor de telecomunicações, com alta de 3% no mercado de celulares e 5% no segmento de infraestrutura, mantendo a trajetória de avanço observada em 2025, quando o faturamento cresceu 7% em termos reais, impulsionado sobretudo pelo varejo de smartphones.
Entre os desafios, o mercado irregular de celulares segue como entrave. O diretor Luiz Cláudio Carneiro destacou a queda da participação de irregulares de 19% para 12%, mas ainda persiste devido à judicialização de medidas por dois marketplaces (Amazon e Mercado Livre). Ele afirmou que o objetivo é zerar esse percentual, pois os anúncios irregulares geram elevados custos jurídicos.
O presidente executivo Humberto Barbato ressaltou que, enquanto a política monetária exigir, com a Selic em 15%, fica difícil planejar grandes investimentos, destacando que o ritmo de expansão dependerá também de melhoria no índice de confiança da indústria.