Dados da Anatel apontam para uma mudança profunda no padrão de consumo no setor de telecomunicações, com a banda larga fixa ocupando a posição central nas casas brasileiras, seguida pelo serviço móvel, enquanto a telefonia fixa registra retração.
A banda larga fixa já consolidou sua dianteira sobre a telefonia fixa no Brasil, somando 54.429.216 acessos e registrando crescimento de cerca de 65% nos últimos seis anos. Em contrapartida, a telefonia fixa caiu aproximadamente 39,7% no mesmo período, passando de 33.121.839 para 19.982.768 assinantes. Já a telefonia móvel segue em ascensão, totalizando 270.743.556 acessos, 19,5% acima do patamar de alguns anos atrás.
O que reforça essa mudança de perfil é o 150º aniversário da primeira ligação telefônica registrada no mundo, realizada em 10 de março de 1876 por Alexander Graham Bell. Poucos meses depois, Dom Pedro II experimentou a invenção em uma exposição na Filadélfia e, em 1877, um dos primeiros telefones do Brasil foi instalado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.
Historicamente, a telefonia fixa demorou para se espalhar pelo país. Em 1980, com cerca de 121 milhões de habitantes, o Brasil tinha apenas 4,8 milhões de linhas telefônicas. A mudança veio com a Lei Geral de Telecomunicações de 1997, que reformulou o setor, abriu o mercado à concorrência e criou a Anatel. Instrumentos de universalização, como o Fust, acompanharam a expansão da infraestrutura de telecomunicações.
O deslocamento da telefonia fixa para a banda larga e para os serviços móveis reflete uma mudança mais ampla no papel das redes. A Anatel aponta que o desafio regulatório atual não é apenas instalar linhas, mas ampliar o acesso a serviços digitais em uma economia cada vez mais dependente de conectividade. A missão regulatória passou a envolver não apenas voz, mas também o acesso a aplicações, plataformas e serviços digitais, em diferentes camadas da infraestrutura.
No balanço setorial, a transformação é nítida: se o telefone fixo inaugurou a era das comunicações no século passado, hoje a conectividade digital orienta investimentos, competição e oferta de serviços no mercado brasileiro de telecomunicações.