O Brasil fechou 2025 com avanços significativos no setor de IA. Segundo dados do setor, o número de startups subiu de 352 em 2016 para 975 em 2025, representando quase 40% de crescimento na última metade da década. Desse total, 23 companhias já captaram mais de US$ 10 milhões em investimentos, e dez delas passaram a compor a chamada “elite de 2026”, com potencial para rodadas de financiamento de até US$ 100 milhões.
Entre os nomes que se destacam, estão Blip, Nagro e Idwall, empresas que já operam IA aplicada em CRM conversational, análise de crédito no agronegócio e prevenção de fraudes com machine learning, respectivamente. Ainda que não listadas na bolsa hoje, esse grupo é visto como a vanguarda que poderá abrir capital nos próximos anos, abrindo novas oportunidades para investidores.
Para quem busca exposição rápida ao tema, os ETFs continuam sendo a rota mais prática. O ETF Global X Artificial Intelligence & Technology, negociado na B3 com o código BAIQ39, oferece acesso a uma cesta de líderes globais de IA. O histórico do fundo aponta valorização de 257% desde o lançamento (maio de 2018) e ganhos de 29% nos 12 meses mais recentes, com posições relevantes em empresas como Taiwan Semiconductor, Samsung Electronics, Apple, Cisco e NVIDIA, evidenciando a importância do hardware para a IA.
No cenário doméstico, a Intelbras (INTB3) desponta como um caso de IA com aplicação prática em escala: câmeras com IA, análises inteligentes e soluções para varejo, setor público e comunidades. Relatórios indicam lucro líquido em alta e margens estáveis, com múltiplo P/E projetado para 2026 entre 6,3x e 6,8x e yield de dividendos de 3,77% ao ano, sinalizando uma combinação de crescimento com valuation atrativo.
O ambiente macroeconômico brasileiro também favorece o setor. A tendência de queda da taxa Selic em 2026 pode estimular investimentos em tecnologia e ativos de maior risco. O BNDES, por sua vez, planeja lançar um fundo entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão para projetos de IA e data centers, apontando apoio público ao desenvolvimento do setor. Além disso, pesquisas da Amcham Brasil mostram que 84% das empresas já utilizam IA de alguma forma, mas 61% relatam pouco ou nenhum impacto efetivo nos resultados — alerta para que investidores analisem balanços e métricas de desempenho de IA, e não apenas o rótulo.
Para diferentes perfis de investidor, existem caminhos claros: ETFs para diversificação rápida (como o BAIQ39), ações brasileiras com IA aplicada (como INTB3) e as startups da chamada “elite de 2026” que podem abrir capital no futuro. Em resumo, a IA já é realidade no Brasil, e o momento é de pesquisa cuidadosa, paciência e visão de longo prazo para colher os frutos dessa fronteira tecnológica.