O crescimento da IA e a expansão de data centers estão provocando uma realocação estrutural de capacidade na indústria de semicondutores, elevando a demanda por memórias e chips de armazenamento. Com a corrida global por infraestrutura de IA, fabricantes deslocam linhas de produção para atender essa demanda, o que torna a oferta de componentes mais restrita e os preços mais altos.
A consequência prática para as empresas brasileiras é tripla: preços mais altos, prazos menos previsíveis e a necessidade de antecipar compras para manter operações estáveis.
Setores que renovam com maior frequência ou exigem alto desempenho — como finanças, tecnologia, BPO e educação — são os primeiros a sentir o choque, enquanto organizações com menor intensidade tecnológica tendem a absorver o impacto de forma mais gradual, já que o reajuste se propaga por contratos, reposição e expansão de infraestrutura.
Em resposta, cresce a migração de CAPEX (compra de ativos) para abordagens de OPEX (serviço), com modelos como PC as a Service e outsourcing. Essas formas de consumo visam reduzir volatilidade, aumentar previsibilidade financeira e permitir ajustes de acordo com a oferta real de mercado.
Neste cenário, o monitoramento do ciclo de vida dos dispositivos e a priorização de substituições com diagnóstico preciso tornam-se estratégicos para manter produtividade e reduzir riscos, mesmo quando prazos e preços oscilam.
A pressão de preços e disponibilidade deve seguir ao longo de 2026, pois a expansão de capacidade é gradual e a demanda por IA continua forte. A lição central é que a cadeia global de tecnologia é fortemente interdependente, exigindo planejamento colaborativo e maior flexibilidade operacional para enfrentar rupturas futuras.
* Vittorio Danesi é CEO da Simpress