Operadoras de telecomunicações e o Ministério das Comunicações alinham-se quanto à construção de uma visão de futuro para as políticas setoriais, defendendo que a prioridade não deve ser apenas ampliar a infraestrutura, mas também fortalecer capacitação digital e capacidade de consumo. O debate ocorreu durante o Seminário Políticas de Comunicações, realizado em Brasília.
Segundo Juliano Stanzani, diretor de políticas públicas do Ministério das Comunicações, esse eixo integra o Plano Estrutural de Inclusão Digital e deverá levar a uma diversificação dos investimentos do Fust e de políticas correlatas.
Anderson Azevedo, diretor de assuntos regulatórios da Vivo, afirmou que o Brasil já entra no novo ciclo com redes de qualidade e cobertura acima de 95%, além de preços abaixo de padrões internacionais. Ele disse: ‘O gasto de telecom no PIB é 0,6%, contra 1,3% na média mundial, e a cobertura já passa de 95% da população. Ainda que haja um gap em áreas rurais, o foco deve ser letramento digital e redução de tributos para handsets’.
Flávio Rossini, diretor corporativo da Vero, destacou que o sucesso do Fust deve servir de base para futuras políticas, defendendo a diversificação do programa e a continuidade de editais para atender a unidades de saúde e CRAS. Ele afirmou: ‘Foi uma das políticas mais bem-sucedidas e que deve ser diversificada’.
Para Marcelo Mejias, diretor de políticas públicas da TIM, não devem ocorrer retrocessos em 2027. ‘Cobertura de rodovias com compartilhamento nativo é uma medida positiva, e o RAN Sharing deveria ser um recurso nativo em todos os editais, como o swap de fibra que não requer aprovação’, disse, reforçando a necessidade de manter a estabilidade do licenciamento de espectro.
Os participantes reforçaram que, além de lidar com questões urgentes como o RAN sharing, é essencial manter o foco no futuro com ações para ampliar o uso dos serviços, reduzir tributos e ampliar a inclusão digital.