As associações Telcomp e Abramulti criticaram a adoção de medidas antidumping sobre cabos de fibra óptica importados da China, decididas pelo Gecex em dezembro passado.
Estimativas preliminares apontam que os cabos ópticos chineses ficarão, no mínimo, 170% mais caros, enquanto o preço de equilíbrio de todos os cabos de fibra comercializados no Brasil poderia subir em torno de 50%.
Segundo as entidades, esse aumento de custos deve impactar diretamente a expansão da banda larga, especialmente em regiões menos atendidas e para consumidores de menor renda, ampliando o abismo digital no País.
A nota pública também alerta para possíveis efeitos negativos sobre programas governamentais, notadamente o Aprender Conectado, que visa levar infraestrutura de banda larga a escolas públicas em todo o território nacional.
As organizações afirmam ter discutido o tema com o Gecex e com as pastas do MDIC, Fazenda e Ministério das Comunicações (MCom), ressaltando que o setor também buscou avaliar os impactos junto ao MCom.
Em dezembro, a Gecex editou as resoluções Gecex nº 829/2025 e 837/2025, instituindo tarifas de US$ 47,46 por quilo de fibra óptica chinesa do tipo monomodo e US$ 2,42 por quilo de cabo de fibra óptica com ou sem conectorização, após um processo de avaliação de interesse público. Fabricantes como Prysmian e Lightera argumentaram que o produto chinês, ao praticar preços mais baixos, colocava em xeque a produção nacional no Brasil.