O Departamento de Defesa dos Estados Unidos iniciou a implementação de um novo modelo de geração de forças para operações cibernéticas, batizado Cybercom 2.0, apresentado ao fim de 2025 e discutido em audiência do Senado em 28 de fevereiro. O objetivo é modernizar a forma de recrutar, treinar e manter profissionais responsáveis pela defesa dos interesses norte-americanos no ciberespaço.
Autoridades do Pentágono afirmaram que o modelo foi concebido para substituir procedimentos considerados inadequados às operações digitais e para assegurar que o país possa responder a ameaças cibernéticas com equipes mais preparadas e com suporte contínuo. O sistema anterior era visto como estruturado para funções militares tradicionais e não acompanhava as necessidades específicas de missões em ambiente digital.
O Cybercom 2.0 prevê a identificação de profissionais com competências técnicas específicas e a alocação desses especialistas conforme as demandas operacionais, independentemente da força armada de origem. O plano também inclui mudanças na gestão de carreira e incentivos mais consistentes para retenção de talentos, em resposta às dificuldades recorrentes do Departamento de Defesa para contratar especialistas em segurança cibernética.
A principal assessora de cibersegurança do DoD, Katie Sutton, afirmou aos parlamentares que o modelo pode funcionar dentro da estrutura atual ou em uma reorganização institucional, caso o Congresso autorize a criação de uma força militar dedicada ao domínio cibernético. Segundo ela, a prioridade imediata é resolver problemas relacionados ao desenvolvimento de pessoal, independentemente de decisões futuras sobre a estrutura organizacional.
O planejamento considera 2027 como marco para a consolidação de uma força de trabalho confiável para operações digitais. De acordo com o tenente-general William Hartman, o Cybercom 2.0 é visto como a alternativa mais rápida para estruturar unidades capazes de atuar em cenários que exigem velocidade, coordenação e clareza operacional. A possibilidade de criar uma força cibernética independente, nos moldes da Space Force, continua em debate, com divergências entre especialistas e oficiais.
A decisão final cabe ao Congresso, que pode autorizar a criação de um novo ramo das Forças Armadas. Caso ocorra, a transição exigiria planejamento detalhado, financiamento contínuo e um processo de implementação que poderia levar anos. Enquanto o debate legislativo prossegue, o Pentágono aposta no Cybercom 2.0 como medida imediata para evitar que as capacidades cibernéticas dos Estados Unidos fiquem atrás das de outras nações.