A pressão por trazer equipes de volta ao escritório, fortalecida por gigantes como Amazon e Microsoft, impulsionou debates sobre colaboração e produtividade. Pesquisas recentes, no entanto, revelam que essa relação não é universal e podem surgir custos significativos em capital humano, recrutamento e clima organizacional quando o retorno é imposto como regra.
O custo do turnover associado a políticas de retorno integral pode chegar a níveis expressivos: estudos com milhões de registros indicam que empresas com esse tipo de política observam aumentos de cerca de 9% na rotatividade. Em termos práticos, a substituição de um colaborador pode representar entre seis e nove meses de salário, englobando recrutamento, treinamento e perda de produtividade; em funções de alta performance, esse valor pode superar meio milhão de reais por substituição.
Além dos números, os impactos vão além das planilhas: queda na satisfação, pior clima organizacional e um potencial enviesamento cultural, especialmente entre grupos sub-representados que dependem da flexibilidade para enfrentar desafios sociais e pessoais. Pesquisas qualitativas indicam que políticas rígidas de retorno costumam ser associadas a sensações de retrocesso, afetando engajamento, criatividade e colaboração autêntica.
O retorno ao escritório pode fazer sentido em contextos específicos, como onboarding de novos talentos que ainda se beneficiam da socialização presencial, sessões intensivas de inovação ou projetos que exigem sincronia de alta banda. A chave não é demonizar o escritório, mas alinhar a presença física a objetivos claros e mensuráveis que gerem valor para o negócio.
Uma alternativa eficaz é adotar um ambiente de trabalho orientado a resultados (ROWE), onde a presença física é opcional e o desempenho é medido pela entrega de resultados e impactos no negócio. Em organizações ROWE, a confiança, a transparência e o foco em entregas tendem a sustentar produtividade estável e melhor bem-estar, além de atrair e reter talentos em mercados cada vez mais competitivos.
Para CEOs e CFOs, a lição de 2026 é clara: o lugar onde o trabalho acontece importa menos do que o resultado gerado. Investir em decisões orientadas por dados de desempenho, em vez de presunções sobre produtividade presencial, é mais eficaz economicamente e mais sustentável para a equipe. Siga o Itshow no LinkedIn e assine a newsletter para ficar por dentro das novidades do setor de TI e Cibersegurança.