O Brasil está próximo de universalizar a Internet nas escolas públicas, segundo dados do Censo Escolar 2025 analisados pela MegaEdu. A organização aponta que 93% das unidades já possuem conectividade, mas ainda existem cerca de 9 mil escolas desconectadas, atendendo aproximadamente 540 mil estudantes.
Apesar de existirem cerca de 2 bilhões de reais disponíveis para ampliar a conectividade, o principal gargalo reside na capacidade de execução pelos estados. Cristieni Castilhos, diretora-executiva da MegaEdu, cita entraves que vão desde o planejamento até a licitação e a aquisição de equipamentos, em meio à alta demanda por tecnologia.
Mesmo com esses entraves, o cenário aponta avanço: cerca de 7 mil das 9 mil escolas desconectadas já estão em processo de atendimento por políticas públicas, o que sinaliza que a universalização pode ocorrer ainda em 2026. Segundo Castilhos, manter o ritmo é essencial para que o objetivo seja atingido neste governo.
Entre os principais obstáculos estão a necessidade de planos de trabalho aprovados, a abertura de atas de registro de preços que se esgotaram rapidamente e a dificuldade de encontrar fornecedores para computadores, tablets e roteadores. Regiões Norte e Nordeste, onde a maioria das escolas sem acesso está localizada, também enfrentam desafios de localização e identificação de unidades.
No quesito qualidade, o progresso é desigual. Cerca de 70% das escolas já contam com Internet de velocidade adequada para uso pedagógico, com redes Wi-Fi em salas de aula. Ainda há carência de dispositivos: menos da metade das escolas tem número suficiente de computadores, o que limita o uso pedagógico. Especialistas defendem que a universalização não deve ficar apenas no acesso, mas na qualidade e no uso educativo da tecnologia.