A convergência entre IA, nuvem, ransomware e crimes financeiros digitais está elevando o nível de alerta e exigindo uma abordagem de cibersegurança mais estratégica.
A Inteligência Artificial deixou de ser assunto de laboratório para compor a infraestrutura essencial de operações, automação e análise de dados. Embora proporcione ganhos significativos, a adoção acelerada da IA também traz riscos como dependência de modelos opacos, vazamento de dados sensíveis e falhas de governança.
O papel do Chief Information Security Officer (CISO) precisa ser mais estratégico, com clareza de responsabilidades, acesso direto ao conselho e a habilidade de traduzir riscos técnicos em impactos financeiros, regulatórios e reputacionais para o negócio.
Casos recentes reforçam a importância de uma defesa integrada: a PDVSA, estatal da Venezuela, foi alvo de ransomware visando paralisar operações administrativas e financeiras, expondo fragilidades em áreas-chave de suporte ao negócio. No ambiente de nuvem, campanhas de criptojacking exploraram credenciais administrativas na AWS, elevando custos e dificultando a contenção.
Outra evidência vem da cadeia de suprimentos de software, com um pacote NuGet fraudulento, disfarçado de biblioteca confiável, que permaneceu ativo por anos, roubando dados de carteiras de criptomoedas. Campanhas atribuídas à GRU russa também trouxeram foco a ataques contra infraestrutura crítica de energia e nuvem no Ocidente.
Para organizações públicas e privadas, o desafio não é apenas adotar tecnologias emergentes, mas fazê-lo com governança, visibilidade de riscos e maturidade operacional. A cibersegurança precisa migrar de um tema técnico para um pilar central da resiliência dos negócios.