Um estudo realizado pela operadora de satélites Viasat, em parceria com a GSMA Intelligence, aponta que o Brasil figura entre os mercados com maior apetite por tecnologia direct-to-device (D2D), que conecta smartphones diretamente a satélites. Dos 12 países analisados, 81% dos brasileiros disseram estar dispostos a pagar um valor adicional na fatura para contar com esse serviço, ante uma média global de 60%.
A pesquisa também mostra uma segmentação da disposição para gastar: 43% aceitariam um acréscimo de até 5% na tarifa mensal, enquanto 22% topariam pagar entre 5% e 10% a mais. Em economias menos desenvolvidas, o interesse é ainda mais evidente: Índia (89%) e Indonésia (82%) superam as economias mais maduras como EUA (56%) e França (48%).
Outro dado relevante indica que a percepção de valor vai além da simples assinatura: 61% dos brasileiros considerariam trocar de operadora se outra empresa oferecesse serviços de satélite integrados à assinatura atual. Como referência internacional, essa taxa é de 43% nos EUA e apenas 15% no Japão.
Segundo Andy Kessler, vice-presidente da Viasat, o entusiasmo pelo D2D vem também da constatação de lacunas nas redes terrestres. No Brasil, 68% dos usuários relatam falhas na cobertura móvel; esse índice cresce quando o usuário está em deslocamento (25% em movimento) e em viagens internacionais (30%).
No perfil de consumo, o interesse brasileiro se volta mais para aplicações de alto consumo de dados via satélite — como videochamadas, streaming e navegação — com 70% dos respondentes no país buscando esse tipo de uso. Em contraste, EUA e França tendem a priorizar mensagens de texto e recursos de SOS; ainda assim, as mensagens e serviços de emergência superam 65% entre os brasileiros.
Apesar do otimismo, o setor precisa gerenciar expectativas. Kessler recomenda que as operadoras articulem bem os serviços via satélite, evitando prometer aplicações intensivas em dados que ainda não estejam disponíveis em larga escala. Mesmo com vastas áreas do território sem sinal, o D2D ainda não está disponível no Brasil. Em Nova Zelândia e Japão, já há casos de mensagens de texto por satélite, enquanto nos EUA clientes da T-Mobile podem fazer chamadas de áudio e vídeo no WhatsApp e publicações no X via satélite.