O Brasil perde cerca de 12 mil profissionais de tecnologia por ano para o exterior, o que representa aproximadamente R$ 2,2 bilhões em capital humano, em um momento em que a economia digital responde por 9,8% do PIB nacional.
Os números integram o Índice Global de Maturidade Digital, ferramenta do Instituto Brasileiro de Soberania Digital (IBSD). A plataforma, alimentada por inteligência artificial, mede a autonomia tecnológica de cidades, estados e países a partir de dados abertos, com o objetivo de colocar o Brasil entre as cinco nações mais soberanas até 2035.
O estudo aponta um cenário estrutural de perda de talentos: cerca de 45% dos profissionais da área migrando para mercados mais competitivos e para atuar em empresas globais.
De acordo com o levantamento, o Brasil possui cerca de 12 profissionais de TI para cada mil habitantes, número inferior ao observado em economias altamente inovadoras e que limita a expansão do setor digital brasileiro.
“O mundo vive uma corrida global por talentos digitais, e a disputa tende a se intensificar nos próximos anos”, afirma Alexandre Zavaglia, vice-presidente de Pesquisa e Inovação do IBSD. “O Brasil tem um ecossistema tecnológico relevante, mas precisa transformar a formação e a retenção de profissionais em prioridade estratégica.”
Na avaliação geral, o Brasil aparece na 42ª colocação entre 100 países analisados, refletindo avanços na digitalização de serviços e inclusão tecnológica, mas também desafios na formação e retenção de capital humano especializado.
Apesar dos desafios, o levantamento aponta ativos para ampliar a maturidade digital: tamanho do mercado interno, rápida adoção de serviços digitais e maturidade do sistema financeiro criam um ambiente favorável para o desenvolvimento de soluções tecnológicas em escala. Casos como PIX e Open Banking evidenciam que o país pode liderar inovação quando há coordenação entre regulação, tecnologia e mercado.
Para o IBSD, políticas públicas voltadas à formação de profissionais digitais, estímulo à pesquisa e fortalecimento do ecossistema de inovação serão decisivas para ampliar a participação da economia digital no PIB brasileiro e reduzir a dependência tecnológica externa.