A pesquisa Painel TIC – Integridade da Informação, realizada pelo CGI.br com apoio do Cetic.br, revela que 41% dos entrevistados declararam contato diário com deepfakes — imagens, vídeos ou áudios produzidos ou manipulados por Inteligência Artificial generativa para parecerem verdadeiros. A proporção é maior entre jovens de 16 a 24 anos, chegando a 44% nessa faixa etária.
O estudo aponta ainda desigualdades no letramento digital, com maior desconhecimento sobre o tema entre as pessoas das classes DE (20%) e indivíduos com menor escolaridade (24%). No âmbito da IA generativa, 47% dos usuários de Internet com 16 anos ou mais já utilizaram ferramentas como o ChatGPT. Entre quem acessa a rede apenas por celular, a IA do WhatsApp domina com 38% de uso.
Os dados mostram dificuldades para entender o funcionamento dos algoritmos e das dinâmicas de recomendação presentes nas plataformas digitais. Metade da população (50%) concorda que a confiabilidade de um conteúdo o faz circular mais online, enquanto 45% acreditam que as informações vistas na Internet costumam ser iguais para todos os usuários.
Por outro lado, há maior compreensão sobre as lógicas de monetização empregadas por influencers, veículos de mídia e as próprias plataformas. A pesquisa indica que 64% dos usuários concordam que influenciadores são polêmicos para obter maior visibilidade, e 61% entendem que as redes sociais são gratuitas justamente porque vivem de publicidade.
Além disso, fatores sociodemográficos, socioeconômicos e de conectividade aparecem como determinantes para a capacidade de classificar informações como falsas ou enganosas. O CGI.br observa que pessoas com maior escolaridade, idade de 45 anos ou mais e acesso a fibra óptica tendem a ter melhor desempenho na verificação de informações. A pesquisadora Renata Mielli ressalta que a agenda de integridade da informação exige políticas públicas baseadas em evidências para enfrentar a manipulação informacional no Brasil.