A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu, nesta semana, uma consulta pública de 30 dias para revisar a metodologia de medição da cobertura de telefonia móvel no Brasil.
A proposta prevê a coleta direta de dados das operadoras, substituindo gradualmente estimativas e simulações por informações obtidas diretamente da operação das redes, com mapas de cobertura georreferenciados de alta resolução.
Para mostrar a cobertura efetiva do Serviço Móvel Pessoal, as operadoras deverão apresentar mapas detalhados das áreas atendidas, com dados espaciais que indiquem com maior exatidão onde há sinal disponível, localidade por localidade.
A intenção é abandonar modelos preditivos, como o MOSAICO, em vigor, e priorizar dados primários fornecidos pelas próprias prestadoras, com nível de detalhe maior e aderência à realidade.
Além disso, a Anatel pretende padronizar o formato dessas informações, exigindo dados estruturados e comparáveis entre as empresas, com métricas mais compreensíveis para reguladores e sociedade.
Outro eixo da proposta é o uso desses dados como insumo para políticas públicas, visando definir metas de cobertura, orientar investimentos em leilões de espectro e identificar regiões desassistidas, transformando a coleta de dados em ferramenta de inteligência regulatória.
A agência reconhece custos e desafios significativos, como o volume massivo de dados geográficos, a necessidade de adaptação das operadoras para enviar as informações e a demanda por infraestrutura para armazenamento e análise, porém acredita que os ganhos superam os riscos.
Ao final, a avaliação é de que a nova abordagem pode reduzir a incerteza regulatória, aumentar a transparência e permitir comparações mais objetivas entre prestadoras.