No primeiro dia da Satellite 2026, realizado em Washington, a Space Force divulgou um diagnóstico duro sobre o cenário espacial: a China avançou em todos os objetivos traçados e hoje representa a principal concorrente dos Estados Unidos no setor.
O chefe da Space Force, Master Sargent Ron Lerch, sintetizou a avaliação: “O que os chineses se comprometeram a fazer eles cumpriram”. Ele destacou a extensa rede de parcerias internacionais do país, ressaltando um mapeamento da Space Force que lista países com estações terrestres sob controle chinês, incluindo parte da América Latina, como o Brasil.
“Essa rede de parcerias é muito útil para o desenvolvimento do programa espacial chinês. Eles valorizam essa presença internacional; precisarão desses gateways para serviços comerciais e estão obtendo o que desejam por meio dessa rede”, afirmou Lerch.
Sobre prazos e tecnologia, a Space Force aponta que a China ainda está atrás na área de lançamento reutilizável — um ponto em que os EUA, com a SpaceX, mantêm vantagem —, o que pode explicar defasagens em alguns sistemas espaciais chineses. Mudança de ritmo vem com as missões lunares e a ocupação do espaço em 2025, áreas que preocupam os EUA.
No campo de cooperação, as sanções internacionais, especialmente contra a Rússia, contribuíram para atrasos no desenvolvimento de concorrentes espaciais. A observação da Space Force também destacou capacidades chinesas em monitorar satélites e até rebocar artefatos — uma área que acena para futuras missões com processamento de dados, aquisição de imagens e navegação.
Em resumo, embora os EUA ainda tenham vantagem no lançamento, o ritmo chinês de expansão e a engenharia de parcerias internacionais apresentam um desafio crescentemente relevante para a segurança e interesses comerciais no espaço.