As maiores empresas de tecnologia da China, Alibaba e Tencent, sofreram uma queda histórica de US$ 66 bilhões em valor de mercado em um único dia, alimentando temores entre investidores. O recuo ocorreu depois que ambas apresentaram resultados abaixo das expectativas e não conseguiram traçar caminhos concretos para monetizar a inteligência artificial, em 24 de março de 2026.
A Tencent foi a principal responsável pela derrocada, com cerca de US$ 43 bilhões evaporados, seguida pela Alibaba, cuja capitalização caiu em torno de US$ 23 bilhões. As ações da Alibaba negociadas nos EUA registraram a maior queda desde outubro de 2025, enquanto a Tencent enfrentou o pior dia de negociação em quase um ano.
Especialistas apontam que a combinação de lucro trimestral fraco e investimentos maciços em IA — sem um modelo de negócio sólido — gerou pânico entre investidores, já que não há evidências de retorno de capital de curto prazo. A Alibaba, por sua vez, anunciou planos de ampliar investimentos em IA que já somam mais de US$ 53 bilhões, ao mesmo tempo em que elevou preços de serviços de nuvem em até 34%, em uma tentativa de compensar custos de data centers e contratação de talentos.
O episódio também lança luz sobre a guerra de incentivos no Ano Novo Lunar, com várias empresas no país tentando atrair usuários para plataformas de IA por meio de subsídios. A falta de adoção comercial significativa e a ausência de modelos de receita claros acabam por transformar promessas futuras em ceticismo atual.
No cenário global, a debacle chinesa reverbera entre CIOs e CISOs, que passam a exigir métricas de ROI e casos de uso bem definidos para qualquer investimento em IA. O evento marca uma guinada na narrativa da IA: não basta anunciar iniciativas — é preciso demonstrar geração de valor real para clientes e acionistas.