A ascensão recente de ações globais, alimentada pela empolgação com a Inteligência Artificial no início de 2026, esconde uma ameaça potencial: uma inflação que pode acelerar à medida que investimentos em tecnologia se tornam mais intensos. Nos EUA, sete grandes nomes de tecnologia puxaram boa parte dos lucros do ano anterior, apoiando recordes de valorização enquanto estímulos monetários estimulavam também ações europeias e asiáticas a picos históricos.
Analistas projetam que ondas de estímulo nos EUA, Europa e Japão, combinadas com o contínuo ímpeto da IA, podem reacender o crescimento global, levando gestores a se preparar para uma inflação mais forte e, em alguns cenários, forçar bancos centrais a encerrar ciclos de cortes de juros, freando o fluxo de liquidez para os mercados obcecados por IA.
“É preciso um alfinete que fure a bolha”, disse Trevor Greetham, chefe de multiativos da Royal London Asset Management. Segundo ele, mesmo mantendo posições em grandes empresas de tecnologia por ora, não excluiria a possibilidade de a inflação disparar globalmente até o fim de 2026, caso as condições monetárias se tornem mais restritivas.
Especialistas apontam que a corrida multibilionária de hyperscalers — Microsoft, Meta e Alphabet — para ampliar centros de dados também é uma força inflacionária, dada a velocidade com que consomem energia e chips avançados, elevando custos de produção e energia, de acordo com análises de mercado.
Com isso, a inflação de preços ao consumidor nos EUA pode permanecer acima da meta de 2% do Federal Reserve até 2027, alimentada pelos investimentos corporativos em IA, destacam estrategistas de bancos como Morgan Stanley. O desfecho dependerá de como bancos centrais calibrarão cortes e aperto monetário nos próximos 18 meses.