A Huawei e a 450 MHz Alliance apresentaram um white paper defendendo a destinação da faixa de 450 MHz para redes móveis privativas voltadas ao setor elétrico. O estudo sustenta que a banda oferece cobertura abrangente e alta eficiência para apoiar a dupla transformação da rede de energia — digitalização e transição para fontes renováveis — com especial foco na digitalização da rede de distribuição.
O documento foi apresentado no UTCAL Summit 2026, no Rio de Janeiro, destacando que a rede de distribuição, que faz a ponte entre a rede principal e os consumidores, demanda requisitos extremamente altos de telecomunicações para permitir controles, coleta de dados e operações em manutenção com baixa latência.
Segundo o white paper, o 450 MHz é adequado às características de ampla cobertura da rede de distribuição, já que uma única estação rádio base pode cobrir áreas de vários quilômetros, reduzindo custos de implantação e ampliando o alcance das redes privativas. Além disso, a banda, por ser padronizada com especificações do 3GPP, conta com um ecossistema de dispositivos disponível de fabricantes nacionais e internacionais.
Entre as vantagens apontadas, o relatório cita baixa latência — no nível de milissegundos — e capacidade de suporte a grande número de terminais simultâneos, aspectos relevantes para controle, automação e coleta de dados em redes de energia. A conclusão enfatiza que, dada a ampla cobertura e o ecossistema maduro, o 450 MHz tende a ser uma das melhores soluções para redes sem fio dedicadas ao setor elétrico.
O documento também reúne apoio de entidades como UTCAL e concessionárias de energia contra o leilão da faixa. A Anatel havia anunciado a licitação da faixa para o Serviço Móvel Pessoal (SMP) em 2026, mas o presidente da agência indicou que, por trâmites regulatórios, não será possível concluir o processo dentro do ano.